2.8.16

ah, o netflix

hj salvei meia dúzia de listas
melhores filmes netflix brasil
franceses
ontem assisti a lista de schindler
nem sabia que eu tinha tanto tempo pra ver um filme
mas n tenho interesse em 'terror', 'comedias romanticas'
estou tendo dificuldades de entender certas questões de cânone
estamos na era da coexistência de cânones alternativos
mas tb na era em que grana compra o direito de reunir e difundir idéias
valores
tipo o netflix.
mas toda vez que eu fico no beco dos livros eu fico retardado, então.
gostaria de me demorar nessa conversa tanto quanto possível em livrarias
girar em 360 graus no bookshops
câmera olho de peixe
clipe da bjork

falando em islandia
falemos de valter hugo mãe
tive a satisfação de ler a máquina de fazer espanhóis há alguns meses, e achei uma maravilha (claro que a experiência cosac naify nem sempre salva o conteúdo, sempre ajuda o leitor) cheia de coisas fascinantes como por exemplo a eterna esquisitisse trancona da literatura portuguesa. ele pontua o livro saramagicamente, e ainda por cima não usa maiúsculas, criando um vortex de sintasse desimportantemente poético. para um plot tão monótono¹ (notas de rodapé revelam spoiler) a história é excelentemente bem contada, ainda mais da perspectiva da protagonista, profundamente silente (logo humano poético) e reclamando um assunto² tão visceral (logo humano, biológico). enfim, bem impressionante. narrada em prosa (do tipo cuidadosamente pensada pra ter som, voltas tonais e vocais, ritmos de uma prosódia que diz muito só pelo tom da voz), a obra tem uma diagramação que está mais para a liberdade do texto poético, respeitando a margem, na verdade raramente chegando-lhe a tocar. o que valter hugo mãe faz é emprestar a voz amadurecida da personagem central ao silêncio de sua poesia mental.
coisa que ele passou longe de fazer no desumanização. acabo de finalmente findar a primeira parte (com mais crença do que paciência). o livro faz parte da mesma série. se eu fosse falar disso seria nas notas em rodapé. mas não falarei. talvez quando tiver lido todos.


fiquei pensando
o brasil e outros países em que se tolera a coexistência de marginalizados e elitizados é tipo um nazismo que deu certo por meio da propaganda e maquiagem
como se no nazismo o fascismo tivesse falhado como teste
mas tivesse evoluído de maneira mais discreta
do que estender o braço para campos tomados por pessoas armadas enfileiradas
uma culturalização do preconceito
algo que nos atrofiou
nossa própria india
pelo menos até agora
o gigante acordou
levará horas pra sair da cama
só mais 5 minutinhos

fisiologia

preciso ter com um nutricionista
pois tenho me alimentado de poesia
tenho me deliciado
devorado o silêncio
comovido pela apresentação do prato
o amargo retrogosto
da dieta sadia

sob um céu de
oxítonas
poesia é fazer
uma árvore morta luzir
e uma estrela morrer
e depois calar no vácuo da pausa pra um cigarro

23.7.16

o rh de deus

é quando tu precisa de uma informação sobre deus e o universo simplesmente n colabora pra passar a mensagem
pq deus se comunica com esses sinais, essas coisas que caem, ventos brizantes e aquela luz do sol atrás de núvens, e às vezes, my friend
communication breakdown
a partir daí tudo que vc toca vira
compreende? é como uma anestesia brutal dos eventos do mundo
é blur e solidão
e tudo bem

aí vc fica um pouco cansado pq cansa mesmo e pede pra falar com o mentor da porra toda
algo que tá mais ou menos entre deus e vc mesmo

eu n quero explicar que n é o deus que vc tá pensando
pra isso devo clarificar meu deus
mas isso n vai agregar em nada
senão ao fato de que não há rh

hm

também por que eu ia querer falar com o rh?

pq deus recruta um pessoal
esses ventinhos que derrubam coisas
esses raios de luz e chuva torrencial
são coordenados por uma infra
e administram áreas da existência
pq eles n tem mais nada pra fazer
fazem isso por nós

do processo de seleçao

a seleção de novos anjos tem como principal requisito a morte.
a disposição de cargos organiza-se conforme a experiência do candidato em vida.

etc

esse seria o deus que vc tá pensando?
eu tava pensando mais no deus mais como sendo a vida como ela é
só que com rh



22.7.16

i am not beautiful

im looking at those squary eyes
ive got three lines and yet, regret

18.7.16

ffffffffffffffffffffffffff

sou fumante e n tenho pena de quem esta do meu lado
faço uma coisa horrivel só por ser legalizado

imagina que louco se eu chegasse tipo
OI PESSOAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAL
WELCOME TO SCHIZOPAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARK
um lugar que n existe onde voce pode estar a par de todos os meus conflitos mentais!!!
SEM PAGAR NADA
e n é o blog
é o que ele "representa", "descreve", "discorre sobre"
ele acaba representando algo pq resolveu representar coisas
sobre mim pq um blog a priori implica um narrador necessario
que sou eu
mas que podia n ser se eu inventasse uma voz (pra mim)

uh

adeuza


13.7.16

1 sonho

um feed que se alimenta sozinho
e não seja gerado por nenhum de nós
por exemplo essa semana não almocei nenhum dia

can one be grateful when one doesn't have much?

eu sou do time que n digita google
digita g
e espera o autocompletar
eu faço o mesmo no blogger, pq meu blog é aqui
digito b e espero o auto completar
aparece beeg.com

BIBLIOTECAS

bom dia da manhã
a inenarrável (ainda que narrada) sensação de tomar café achando que ainda é ou pode ser a stout de 6 horas atrás. foram três litros, diluídos em 48 reais dos meus dinheiros, que me deixaram numa euforia e num estado dramático de socialização viceral como nunca antes vistos. raramente me arrependo de abandonar o recinto. hoje é o caso. ainda estou bêbado, eis um fato. caminhei falando sozinho até o banheiro. falavra soubre um sentimento de confusão de ter acordado as 8, n sabia se pq meu corpo tava pedindo alcool ou água, ou se apenas foi o barulho da protásio.

mas não é pra isso que estou aqui. estou aqui pra compartilhar uma epifaniazinha fortuita que tive ontem, em torno da graça aurática sublime de se entrar numa biblioteca pública com um diploma de letras. serei breve (preciso cagar): aqui tudo é muito no domo do simbólico, de modo que eu não levei mesmo meu diploma pra biblioteca (conste). ontem dei o rolê na biblioteca de porto alegre. estava frio, entao nao sei se tem arcondicicionário. estava sem bateria, então n sei se tinha wifi. tinha janelas abertas e o som do centro administravido reberverava sem ganho no recinto. daí eu descobri pra que serve meu diploma: eu pedi pra bibliotecária me levar até as literaturas de língua inglesa, ao que ela prontamente digitou em seu lenovo do milhão "literaturas de língua inglesa". não deu tempo de eu dizer ~moça assim a senhora n vai encontrar muita coisa eu acho pq n deve ser assim que tá cadastrado~ ela já me tomou pela mão e me levou até as gôndulas pendejantes, cinzentas e metalizadas (ah a memória escolar desabandonada). lá encontrei a estante que eu obviamente não sabia manusear, se horizontal ou verticalmente. reconheci o joyce, e fui reconhecendo seus convivas (mas não todos), acabei embasbacado em uma seção chamada TEORIA DA LITERATURA só com autores brasileiros explicando pra quem quiser saber o que é TEORIA DA LITERATURA, inclusive uma edição de alguém da cultrix com exercícios, daqueles que todo doutor em letras, pq acostumado a achar tudo ruim porque a academia lhe ensinou que achar algo bom demanda estudo, obcecação, bibliografia e publicação, adora chamar de lixo. conforme fui avançando no passeio cruzei com os brasileiros que me foram

nossa, to com gosto de álco na boca ainda,

que me foram sinalizados graças a uma distinta edição do senhor ignácio de loyola brandão, autor naquele livro basilar na literatura experimental ditatorial lusoamericana nxzero.

apesar de eu ter ido com pressa, aprendi que em um tempo imemorial (mentira, era só antes do século XX mesmo) as bibliotecas públicas (as não universitárias ou escolares) cumpriam uma função linda e louca de ser biblioteca. na biblioteca vc estava inteirado das novidades literárias do mundo inteiro, das culturas de locais distintos, etc, coisa que as pessoas usavam pra experienciar coisas e lugares que elas possivelmente jamais experienciariam empiricamente. mais do que isso, aprendi que enquanto as bibliotecas foram gradativamente sendo substituídas por locadoras de vídeo, o profissional das letras, além de ser mal pago e desinteressante aos olhos da parcela bem resolvida sexualmente da população (me refiro aquela que se olha no espelho e sente vontade de transar consigo mesma), perpetua o conhecimento bibliotecário, visto que lhe é outorgada a possibilidade de guiar passeios pelas estantes do local. foi muito legal ver todos os livros reunidos. sim, estou encantado com a biblioteca como se tivesse ido num zoológico, com a diferença que tinha vários mortos e dava pra encostar, e a sensação de inutilidade social daquilo foi particularmente palatável. me senti um pouco o cara de barba branca com um cetro de pau dos senhor dos anéis, apenas que meu poder era ~já ter lido esse ou aquele~ e relacionar ~o que não li~ com aquele outro ali porque ambos fazem algo no mesmo sentido em algum aspecto.

que dia lindo.
ressaca vindo de leve assolando meu ser.

se existe inferno, é a desmontagem de palco, mas acho que disso eu já falei.
preciso escovar os dentes. brush my tits.

ah, falou falar das pessoas que vi.
vi um cara lendo papes escritos à mão. seriam textos funcionais? cartas pra alguém? estudos de caso? reflexões sobre a profundidade da consciência de estar vivo? experimentação formal?

vi a menina debruçada sobre a mesa olhando netflix no celular, linda.

vi várias pessoas compartilhando uma mesa mas elas não falavam entre si.

vi claro a bibliotecária estagiária, que lia sua timeline no facebook.

vi um prédio pseudo monumental, apenas faltando resolver uns detalhes tipo luz.

voltaremos certo. quem desdenha da biblioteca pública é filha da puta e tem que morrer.

tchau.

u realize

all these songs
oh i'm proabalur regret
they about haer
they sukk bad

6.7.16

a piece

na estética, tudo depende da apresentação
do ataque
do acabamento
sabe do que eu estou falando?

no texto, daqui em se tratando, seria eu fazer uma bela apresentação do que você (leitor receptor pessoa (ou maquina) que n esta escrevendo) vai encontrar ao longo deste colóquio, ou ao menos instigá-lo a continuar a leitura

mas infelizmente, n sei se é o que vai acontecer

em primeiro lugar vou me apresentar, eu sou a instância narrativa, eu falo coisas que sao escritas aqui e elas podem ser verdadeiras ou falsas o quanto eu quiser e você poderá ficar confuso pois eu posso dizer que deus é gay e que Deus é pai e vc n confiar em mim. eu sou criação de uma pessoa. uma pessoa é um ser vivo provido de memória. sua memória advém de sua capacidade de registrar. o ato da criação é uma cruza da capaciade de registrar com o ímpeto de inventar. inventar é uma consequência de uma ansiedade mental gerada por algum aspecto proeminente na vida da pessoa. a pessoa tem uma vida. durante a vida, ela inventa textos. cada texto tem um narrador. cada narrador atua de uma forma em particular naquilo que ele está contando: ele pode conhecer os personagens "pessoalmente", ele pode n existir mas saber que aquilo tudo está acontecendo, ele pode inclusive matar o leitor, assim, simbolicamente. quando o mesmo narrador narra diferentes textos, chamamos de série. esse é o meu mundo. seja bem vindo (mas n repara a bagunça).

agora vou narrar

cheguei em casa, que felicidade
como é bom chegar ao lar
o único problema é chegar e encontrar a escuridão
lembra-me de idos tempos
respiro fundo ao sentar, fatigado do trabalho.
giro na cadeira. n tem outro lugar pra ir.
vem uma sensação de nowhere to go

comprei um livro, mas n é o suficiente para começar a lê-lo
preciso de espaço, de luz e de limpeza
pego um cigarro
eles n entendiam porque eu gostava tanto daquilo
do preto, daquele teatro depressivo
eles n entediam pq n os ouviam
n prestavam atenção no que eles diziam
fui à sala, obsoleta
sentei-me no sofá em meio ao breu total
blackout total
erigi a chama
taqueilhe fogo
eles não ouviam porque n queriam ouvir
mas era sobre eles que estava escrito ali
sobre seu distanciamento
sobre sua desilusão
sobre a tal solidão
eles podem dizer o que quiserem
eles não estão naquele sofá, naquela sala, naquela escuridão
estão celebrando sua própria ignorância
felizes de terem mais disposição pra fingir contentamento
focando na alimentação pra melhor aprisionarem seus pensamentos mais danosos
mais reconditos
mais secretos
todo mundo os tem
todo mundo pensa algo muito ruim de alguém
e todo mundo esconde isso
eu n escondo de ng
vc esconde sim
la vem a bonitinha
uma querida
sim, parece uma putinha da tia carmem
nossa, vou pedir pra vc repetir isso pra ela posso?
claro que nao
entao vc esconde
n vai falar nada
ok
n escondo mas n vou dizer na cara dela
que vc acha que ela é uma putinha da tia carmem
aquela vozinha nhenhenhe fininha irritante
sim vc acha isso dela e n vai falar na cara dela
claro que nao
pq vc esconde seus pensamentos mais horríveis sobre as pessoas com quem vc convive
oiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
ola! eaíí
helloooow
como tu tá linda! qto tempo
adorei essa manta aahaha
guri to morrendo de calor n era inverno?
mas eu sei que ela odeia a outra.
a gente guarda até os piores segredos dos outros. muito tenso.

eu giro na minha cadeira, olho pros lados dá até pena de mim mesmo
era só levantar e arrumar, preguiçoso e lento
ir dormir que seja
abrir mao daquela deliciosa leitura
do fim do semestre aguardado
comer uns rango

mas existe uma sensação de que há sim uma nuvem, ainda, desde sempre
que ela paira livremente e consome nossa sorte e nossa disposição
da onde ela vem? pq estou tão triste? por que quero estar tão só? por que ainda me sento à escuridão?

ainda é possível ser o arturo bandini afinal. ainda é possível ter sonhos de bunkerhill, ainda é possível querer ser alguém sem fazer nada de útil, mas ao menos tentar compreender um pouco melhor.
os tempos estão mudando, e o mesmo acontece às tretas da alma.